Das redes que precisamos.
Lembro que, religiosamente, uma vez ao mês, eu acompanhava com meus pais na reunião de bairro. Era o momento em que os moradores se encontravam no salão comunitário para discutir melhorias, atividades que seriam feitas para as crianças e até plantio de árvores. Às vezes tinha pipoca e chá no final. Os adultos levavam atas para anotar as pautas mas era mais um encontro para conversar. Era uma rede.
No fim da tarde, religiosamente, as cadeiras de área da casa da minha vó iam para a calçada. A vizinha que varria o quintal se juntava. O vizinho voltando do mercadinho ficava por ali. Às vezes até café alguém passava e as cadeiras só voltavam pra dentro na hora da novela das 21h. Era uma rede.
Ouço as pessoas dizendo que para saúde mental em dia há duas receitas: terapia e exercício físico.
Concordo.
Mas não consigo determinar o tamanho do impacto que sinto quando encontro meu vizinho pela manhã e passamos 5 minutos falando sobre o tempo. Ou ir ao açougue e a atendente me perguntar do meu cachorro. Encontrar uma senhora que faz pilates comigo e ela dizer que sentiu minha falta na última semana em que não fui a aula. Não consigo determinar o impacto que tem em mim sair pelo bairro e poder ter minutos de conversa com pessoas que vivem por aqui.
A gente sente falta de rede. A rede que falo é essa do corpo a corpo. Do olho no olho. Do sentimento de viver em comunidade e nutrir as relações. Não sou íntima dos meus vizinhos e nem de quem conheço no bairro, mas nutro cada troca com essas pessoas porque eu preciso sentir que ainda há rede.
Bad Bunny ganhou o grammy pelo álbum das cadeirinhas de plástico numa ode ao retorno daquilo que nos marca como comunidade. Parece que estamos nos voltando para isso, talvez pela nostalgia ou pela falta que isso tem nos feito.
Perceba o impacto que 5 minutos da experiência de estar em comunidade te causa.
A gente é bicho de rede. E não tô falando dessa aqui.



Que texto lindo! As cadeirinhas s2